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Unicamp pode deixar de usar porcos e coelhos como cobaias

Na Unicamp os alunos de Medicina ainda treinam em porcos e coelhos procedimentos bastante invasivos como de drenagem de tórax, suturas de alças intestinais, abordagem de órgãos retroperitoniais para contenção de sangramentos e janela cardíaca para controle de ferimentos graves.

Foi o que contou o professor Wagner Fávaro, do Instituto de Biologia da Unicamp, convocado pela CPI de Maus-Tratos Contra Animais da Assembleia Legislativa para, no dia 13 de dezembro, prestar esclarecimentos sobre o uso de animais no ensino (não na pesquisa).

Foto Divulgação

Mas esse triste cenário, na contramão da tendência mundial de se abolir o uso de cobaias no ensino, pode mudar se o professor cumprir o que disse durante a reunião da CPI e visitar universidades que, no lugar de cobaias, passaram a usar cadáveres de animais eticamente adquiridos para aprender o método.

“Os cadáveres adquiridos de hospitais veterinários dão conta de todos os procedimentos feitos pela Unicamp em cobaias. A professora Júlia Matera, da USP, inclusive, aprimorou essa técnica e os cadáveres, que duram até seis meses, podem até sangrar. Outra vantagem é que os alunos podem treinar fora da aula e não sofrem dissensibilização ao assistirem tantos animais sendo arrastados para a morte. É muito traumático, pois, eles sabem que vão morrer”, explica a professora Odete Miranda, uma das responsáveis pela evolução do ensino na Faculdade de Medicina do ABC que há dez anos não tem mais cobaias.

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O deputado estadual Feliciano Filho, presidente da CPI, considerou a reunião bastante produtiva e declarou: “Diante dessa prova incontestável de método substitutivo, pedi humildade aos técnicos da Unicamp para conhecerem os procedimentos em cadáveres realizados há muitos anos tanto na USP, inclusive com premiação internacional à professora Júlia Matera pelo aperfeiçoamento da técnica, quanto na Faculdade de Medicina do ABC, entre muitas outras”.

Segundo o Comitê de Médicos para a Medicina Responsável com sede em Washington e composto por 12 mil membros espalhados pelo mundo, mais nenhuma universidade nos EUA e Canadá utiliza cobaias no ensino da Medicina . No lugar das cobaias entraram em cena justamente os simuladores, sendo vários deles específicos para treinamento de emergências no atendimento de adultos e crianças. Aquelas universidades já enxergaram que é muito mais seguro treinar os futuros médicos em modelos com anatomia humana.

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O professor Fávaro disse que somente o curso de Medicina da Unicamp utiliza cobaias e que o biotério da faculdade cria ratos e camundongos destinados apenas para a pesquisa. Disse ainda que o uso de cães foi abolido há oito anos e que a Unicamp possui um centro de medicina realística. Portanto, levando-se em consideração as declarações do professor, falta pouco para a Unicamp colocar os dois pés no ensino ético, muito mais eficaz e dentro da lei.

Feliciano Filho ressaltou que os deputados da CPI ouvirão técnicos e formularão relatório a ser encaminhado ao Ministério Público: “Havendo método substitutivo, segundo a Lei 9.605, o uso de animais no ensino é crime. As universidades estaduais precisam adotar métodos sem o uso de cobaias e fazer a transição para um aprendizado muito mais eficiente e sem sofrimento animal”.

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Além da Unicamp, a CPI de Maus-Tratos Contra Animais já ouviu também a USP . A convocação da Unesp, em 12 de dezembro, não foi proveitosa porque o professor escolhido para representar a instituição alegou não ter conhecimento técnico para falar de métodos substitutivos no ensino. Os deputados pretendem convocar a Unesp para uma próxima reunião ainda sem data marcada.

Por ocasião do Projeto de Lei (PL) 706 ou Lei Anticobaias no Ensino, do deputado Feliciano Filho, as três instituições entregaram ofício ao governador alegando que nem todos os procedimentos feitos em cobaias possuem métodos substitutivos e desde então Feliciano Filho vem trabalhando pela derrubada do veto ao PL . Outro tema da CPI é a caça ao javali, cuja investigação continua em andamento.

Via Portal Anda

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