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Designer usa sangue de animais para criar objetos decorativos

Você almoçaria em um prato que foi feito com sangue de vaca? Depois de descobrir que milhões de litros de sangue de animais são descartados todos os anos em matadouros, o designer alemão Basse Stittgen teve a inusitada ideia de usar o material para criar objetos variados. A coleção inclui porta-joiasporta-ovos que se encaixam como um totem e até um disco de vinil – que, em vez de música, reproduz os batimentos cardíacos de um porco antes de ser morto.

Você almoçaria em um prato que foi feito com sangue de vaca? Depois de descobrir que milhões de litros de sangue de animais são descartados todos os anos em matadouros, o designer alemão Basse Stittgen teve a inusitada ideia de usar o material para criar objetos variados. A coleção inclui porta-joiasporta-ovosque se encaixam como um totem e até umdisco de vinil – que, em vez de música, reproduz os batimentos cardíacos de um porco antes de ser morto.

O projeto explora as possibilidades de uso do sangue como material. Os objetos criados a partir do líquido interagem entre o forte significado simbólico do sangue e sua fisicalidade.

O projeto explora as possibilidades de uso do sangue como material. Os objetos criados a partir do líquido interagem entre o forte significado simbólico do sangue e sua fisicalidade.

“O sangue pode significar tantas coisas – a vida, a morte – mas não há noção material para o sangue. É isso que estou explorando. Ele pode realmente ser um material?”, analisa o designer em entrevista ao site Dezeen.

O objetivo do projeto, batizado Blood Related (Consanguíneo, em tradução livre) é identificar o estigma associado ao sangue e, posteriormente, descobrir como superá-lo. “A ideia de ter objetos feitos de sangue é muito mais repelente do que a ideia de comer carne animal, usar pele de animais ou até colocar animais empalhados como decoração em uma parede. Essa aversão não vem só do desgosto, mas também do hábito e tradição”.

Sangue sólido

O fato mais surpreendente é que as peças escuras e sólidas são 100% constituídas a partir do líquido, sem nenhum tipo de aditivo. Stittgen ferve o sangue – em um processo comumente usado na produção de morcela – e deixa o material secando por alguns dias. Então, o pó resultante é aquecido e pressionado, e as propriedades de cola da proteína albumina permitem que ela aja como um agente de ligação. O material resultante é um biopolímero de base proteica.

Disco de vinil feito de sangue reproduz batimento cardíaco de porco. Macabro?

Disco de vinil feito de sangue reproduz batimento cardíaco de porco. Macabro?

Em entrevista à Vice Creators, o designer revelou que drenou parte de seu próprio sangue para fazer os primeiros testes. Um amigo médico o ajudou com a ação, e ele cozinhou a substância por horas em uma panela. Como Stittgen não poderia ser a única fonte da matéria-prima dos objetos, ele foi à procura de matadouros para conseguir sangue de animais. “Milhões de litros de sangue são jogados fora, mas não vemos isso porque os matadores estão fora da cidade”, afirmou.

Stittgen encontrou um matadouro que se dizia “ecológico”, pois funcionava em parceria com fazendas locais, mas ficou impressionado com a violência da indústria. O objetivo do designer é, agora, zerar o desperdício de sangue animal no local, utilizando-o para criar objetos.

Porta-ovos em formato de totem se relaciona ao aspecto místico da relação humana com o sangue.

Porta-ovos em formato de totem se relaciona ao aspecto místico da relação humana com o sangue.

“Eu sou consumidor de produtos de carne, então ir para o matadouro coletar sangue eu mesmo foi um importante passo para mim”, explicou ele ao Dezeen. “Esse é um biomaterial, mas é um biomaterial que sai de um setor realmente grande que está ligado a muita negatividade e violência. Para trabalhar com esse material como designer, tive que ver animais sendo mortos”.

Alternativa ao desperdício?

O designer afirma que as reações de seus amigos veganos e vegetarianos foram surpreendentemente positivas. “Em última análise, eu não teria inventado essa ideia se a situação já não existisse”, disse ele. ao Dezeen. Stittgen acredita que, se o estigma ao redor do sangue for superado, seu projeto poderia ser facilmente aplicado em maior escala. “O sangue é algo realmente valioso, muito precioso, mas na realidade da indústria dos matadouros, é um desperdício gigantesco. Temos que trabalhar com isso de alguma forma”, opina.

O projeto foi apresentado em outubro deste ano na mostra de graduação do instituto de arte e educação Design Academy Eindhoven, como parte da Dutch Design Week (DDW) 2017.

via Gazeta do Povo

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