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Aumento de imposto pode desencorajar consumo de carne

A criação de impostos específicos para produtos contendo carne é uma medida inevitável para reduzir o impacto da indústria pecuária nas mudanças climáticas, de acordo com analistas financeiros.

O setor mundial da produção de carne é a causa de 15% de todas as emissões de gases de efeito estufa.

E, ainda assim, o consumo de carne está aumentando. Por isto, é necessário que esta produção seja restringida de algum forma.

Além da emissão de gases, a pecuária desenfreada gera outros problemas, como a poluição da água, a resistência a antibióticos.

O consumo exagerado da carne também está relacionado com vários problemas de saúde, incluindo o câncer.

Uma nova análise da Investors Risk Animal Investment Risk and Return (Fairr) argumenta que a carne está agora seguindo o mesmo caminho que o tabaco, o açúcar e a emissão de carbono.

Estes produtos possuem um imposto com o objetivo de reduzir o consumo deles, já que são considerados nocivos para os humanos.

O imposto sobre a carne já foi discutido em parlamentos na Alemanha, Dinamarca e Suécia, e o governo da China reduziu o consumo máximo recomendado de carne para 45% em 2016.

Maria Lettini, diretora da Fairr, afirmou que, à medida que o Acordo Climático de Paris é implementado, é provável que nos próximos 10 anos os governos de vários países comecem a criar impostos para a carne.

A primeira análise dos efeitos dos impostos sobre a carne concluiu que taxas de 40% para carne de vacas, 20% para produtos lácteos e 8,5% para carne de galinhas salvaria meio milhão de vidas por ano e reduziria as emissões do gás metano.

Propostas na Dinamarca sugeriram um imposto de US$ 2,70 (equiivalente a R$ 8,90) por quilo de carne.

O imposto sobre a carne é muitas vezes considerado uma medida radical e inaplicável, mas pesquisas feitas pela Chatham House em 2015 descobriram que a ideia é muito menos desagradável ​​para os consumidores do que os governos pensam.

Isso mostra que as pessoas esperam que os governos tomem a liderança em relação à medidas para tratar o aquecimento global.

“É apenas uma questão de tempo antes até que a pecuária se torne o foco de uma série políticas para a proteção do planeta. A questão da saúde pública provavelmente fortalecerá a necessidade de ação do governo, como já vimos com o carvão e o diesel,” disse Rob Bailey da Chatham House.

Marco Springmann, do Programa Oxford Martin sobre o Futuro da Alimentação na Universidade de Oxford, constatou: “Os níveis atuais de consumo de carne não são saudáveis ​​nem sustentáveis. O custo do consumo desenfreado pode chegar aos trilhões no futuro”.

A necessidade de um imposto sobre a carne pode ser reduzida se surgirem tecnologias revolucionárias que reduzam drasticamente as emissões de gases, mas elas não existem hoje.

Outra opção mais promissora é a indústria crescente de carne baseadas em plantas.

Bill Gates já investiu neste mercado, assim como fizeram as principais empresas de carne e produtos lácteos do mundo.

“Há grandes oportunidades no mercado. Se pudermos começar a substituir a proteína da carne por proteínas à base de plantas que tenham o mesmo aspecto, sabor e textura, de modo que os consumidores fiquem satisfeitos, é capaz de mudarmos o mundo,” disse Lettini.

 

Via: Agência Anda

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